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Evento promove diálogo entre intelectuais e público
para discutir sobre a mulher brasileira

O evento Olhares femininos, mulheres brasileiras mobilizou o Rio de Janeiro entre os dias 10 e 12 de maio no Arte SESC para discutir a situação atual da brasileira em casa, no mercado de trabalho, na saúde, na educação, na justiça e na mídia. E avaliar quais são as novas agendas feministas em 2006 através do lançamento de dois livros, uma exposição fotográfica e um ciclo de debates.

As palestras contaram com personalidades que lutam em prol da igualdade de gênero, entre elas a ensaísta Branca Moreira Alves e a deputada federal (PT-RS) Maria do Rosário, que também é coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. O evento foi ainda prestigiado pela presença da secretária-adjunta da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Teresa Cristina Nascimento Sousa, e da Assessora do Programa de Direitos Humanos da Fundação Ford no Brasil, Denise Dora.

Os filmes exibidos durante o Olhares femininos, mulheres brasileiras serviram de base para debate e diálogo entre as palestrantes convidadas e a platéia. Na noite do dia 11, aconteceu a primeira avant-première nacional do filme Anjos do Sol, de Rudi Laggeman, que teve com a presença do diretor e o elenco – Antônio Calloni, Chico Diaz, Fernanda Carvalho, Bianca Comparato e Mary Sheila.

A pré-estréia foi também prestigiada pela participação da Oficial de Projetos e Coordenadora da área temática Eqüidade Racial e de Gênero do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Helena Oliveira, e da advogada e coordenadora-geral do projeto Promotoras Legais Populares, Rubia Abs da Cruz. Após a exibição, ambas debateram sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil – tema do filme. Confira fotos dos três dias de atividades multimídia no link imprensa. Depois do balanço positivo do grande evento carioca, a [X]BRASIL tem a intenção de repetir a experiência em São Paulo, no mês de julho.

 

Deputada federal Maria do Rosário integra mesa de debates

A deputada federal Maria do Rosário (PT – RS) acaba de confirmar presença na mesa de debates do dia 11 de maio. Na Câmara dos Deputados, ela coordena a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e foi relatora da CPI Mista que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, em 2003 e 2004. É membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, presidente da Comissão Especial da Adoção, coordenadora do Núcleo de Mulheres do PT e representante do Congresso Nacional na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Maria do Rosário também integra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias e participa do Movimento pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de crianças e adolescentes e pela erradicação do trabalho infantil. Foi ainda coordenadora da Região Sul da pesquisa sobre tráfico humano, realizada pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), em 2002. No mesmo ano, ela foi a deputada federal petista mais votada no Rio Grande do Sul, com 143.882 votos.

 

Confirmada exibição de mais um curta-metragem premiado

O curta-metragem Tempo de ira, de Gisella de Mello e Marcélia Cartaxo, acaba de integrar a programação cultural do evento Olhares femininos, mulheres brasileiras. Ele será exibido às 11h do dia 12 de maio no Arte SESC. Sua trama narra a saga de Cícera (Marcélia Cartaxo), filha única que cuida de sua mãe doente (Antonieta Noronha) no ambiente de estio na seca do sertão, e vive o conflito entre criar as poucas cabras magras ou seguir seu namorado Quinzinho (Nanego Lira). Baseado no conto Cícera Candóia, de Ronaldo Correia de Brito, que mostra a dignidade do povo nordestino a despeito da dureza do sertão, no auge da seca nos anos 70, onde grandes levas de emigrantes saíram de suas vilas e deixaram para trás suas moradias e entes queridos.

Gisella de Mello diretora e produtora já trabalhou em mais de 35 produções de longa metragem nacionais e estrangeiras, entre elas “Olga”, “Madame Satã”, “O Quatrilho”, “Pequeno dicionário amoroso”, “Um copo de cólera”, “Chatô – O rei do Brasil”, “A Partilha”, “Mauá – O imperador e o rei” e “Luar sobre Parador”. Já a co-diretora e protagonista Marcélia Cartaxo estreou como atriz no filme “A hora da estrela”, cuja atuação lhe garantiu o Urso de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Berlim - prêmio até então inédito para o Brasil, antes mesmo de Fernanda Montenegro repetir o feito no festival. Já fez inúmeros trabalhos em cinema, teatro e televisão. Pelo filme “Madame Satã”, Marcélia recebeu Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de melhor atriz do ano.

Tempo de ira foi lançado em 2003 e ganhou importantes prêmios, entre eles Melhor Filme e Melhor Roteiro no Festival de Filme, Vídeo e D-Cine de Curitiba, 2003; Melhor Atriz (Marcélia Cartaxo) e Melhor Fotografia (Paulo Jacinto dos Reis) no Prêmio ABD - Festival do Audiovisual Pernambuco, 2003; Melhor Direção no Festival Guarnicê, 2003; Melhor Fotografia (Paulo Jacinto dos Reis) no Festival de Florianópolis; Melhor Direção e Melhor Atriz (Antonieta Noronha) no 2º Curta Santos; Melhor Filme segundo Crítica no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, Portugal; Melhor Atriz (Antonieta Noronha) no Festival de Vitória; Melhor Filme no Festival de Cuiabá; Menção honrosa da Crítica no Curta-se – Festival Luso-brasileiro de Sergipe.

 

Entidades do movimento feminista são homenageadas em livro e exposição

O livro De mãos dadas homenageia a atuação das Organizações Não-Governamentais na luta pelos direitos femininos no Brasil. Elas são o destaque do segundo capítulo e a seleção seguiu o mesmo padrão do restante da publicação: através da indicação de 17 entidades nacionais e internacionais. Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Geledés, SOS Corpo, Coletivo Feminista e Comunicação, Educação e Informação em Gênero (Cemina) foram identificadas pela maior parte destas instituições como organizações que fizeram – e ainda fazem – a história do feminismo no país.

O texto identifica duas grandes levas de ONGs feministas no Brasil contemporâneo: as do início da década de 1980, que demandavam direitos, e as do fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990, que brigavam pela sua consolidação. Da primeira leva, fazem parte, entre outras, o Coletivo Feminista e o SOS Corpo. Já no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, surge um novo perfil de Organizações Não-Governamentais feministas no Brasil. Paralelamente ao movimento de redemocratização do país, aparecem demandas de consolidação de direitos e com elas instituições como Cemina, Cfemea e Geledés.

Desde 1992, o Cemina já realizou mais de 300 cursos para comunicadoras populares, lideranças dos grupos de mulheres e redes de jovens. Com o desenvolvimento da Internet, o trabalho mudou. Em 2001, o Cemina organizou as primeiras oficinas de inclusão digital. Em 2002, foi lançado o site www.radiofalamulher.com e o programa saiu do rádio e passou a existir apenas na versão online. Atualmente, o Cemina tem investido nos cursos de capacitação para promover a inclusão digital de comunicadoras populares.

As outras duas ONGs feministas de destaque na segunda leva fizeram diferença na luta pela igualdade de gênero e raça. O Cfemea teve um papel importante na discussão da reforma da Previdência Social, na regulamentação das cotas, do assédio sexual e do direito ao planejamento familiar, entre outros. E o Geledés também foi pioneiro na criação de um serviço de assistência legal para vítimas de racismo e de discriminação racial, o SOS Racismo. Criado em 1991, o serviço não só mostrou a dimensão desse problema no Brasil como vem colaborando para a sua punição.

 

Experiências comunitárias de empreendedorismo feminino são selecionadas através de consulta pública

Para localizar as oito experiências comunitárias de empreendedorismo feminino reunidas no livro De mãos dadas, a [X]BRASIL em parceria com a Cross Content viajou pelo Brasil para identificar casos de destaque através de consulta pública. Durante a primeira fase do projeto, pedimos indicações de 17 entidades nacionais e internacionais. Foram elas: Geledés; Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh); Fundo de Recursos para Mulheres Angela Borba; Comunicação, Educação e Informação em Gênero (Cemina); Rede Feminista de Saúde; Fundação Ford; Banco Mundial; Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher; Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres; Fundação Kellogg; Banco Interamericano de Desenvolvimento; Centro Feminista de Estudos e Assessoria; Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres; Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids; Fundação Avina; Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia); e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além disso, a Rede Feminista de Saúde fez uma convocação por e-mail às 113 entidades filiadas para que elas sugerissem outros casos. Ao final da consulta, a [X]BRASIL e a Cross Content receberam indicações de 41 projetos, dos quais oito foram selecionados. Uma minuciosa seleção que representa bem a diversidade de experiências e criatividade de soluções sócio-econômica e culturais realizadas de mulher para mulher de norte a sul do país.

 

Anjos do Sol ancora debate sobre exploração sexual feminina na adolescência

Parte integrante do projeto Olhares femininos, mulheres brasileiras, o premiado filme Anjos do sol, de Rudi Lagemann, teve seu roteiro baseado numa série de reportagens de Gilberto Dimenstein sobre a exploração sexual feminina na adolescência. A prática que ainda assola as regiões mais carentes no Norte e Nordeste do Brasil e foi dramatizada no longa-metragem também está presente no livro de ensaios Olhares femininos, mulheres brasileiras.

No ensaio “Como estão nossas meninas?”, a Representante do Unicef no Brasil Marie-Pierre Poirier aponta o potencial destruidor de redes que exploram sexualmente crianças e adolescentes no país e que teriam ações combinadas com o crime organizado. Segundo o texto, um dos pilares das conclusões do relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi a “Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres e Crianças para Fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil” (Pestraf), realizada em 2001.

O estudo citado no ensaio do Unicef identifica 241 rotas intermunicipais, interestaduais e internacionais de tráfico de mulheres e crianças. Nelas, foram encontrados adolescentes e jovens mulheres na faixa etária entre 15 e 17 anos – a maioria afrodescendente, de origem pobre, com baixas escolaridade e renda, moradoras das periferias urbanas, mães solteiras e a já tendo sofrido algum tipo de violência intrafamiliar. Estes dados apresentados no livro, além do filme Anjos do Sol, servirão de gancho para o debate sobre o tema durante o ciclo de debates Como vai você mulher brasileira?, nos dias 11 e 12 de maio.

 

Approach assume divulgação do projeto

A [X]BRASIL acaba de fechar com a Approach Comunicação parceria para a divulgação do projeto Olhares femininos, mulheres brasileiras. Criada em 1995, a Approach tornou-se hoje, mais que uma assessoria de imprensa, uma empresa voltada para a comunicação corporativa de maneira global. A estratégia do evento ficará a cargo dos núcleos de Educação, Saúde e Qualidade de Vida e Mídia e Comportamento da empresa. Eles são coordenados pelo jornalista e sócio Sérgio Pugliese, que iniciou sua carreira como repórter do Jornal do Brasil há 16 anos, ganhou dois Prêmios Esso e chefiou equipes de Cidade, Economia, Entretenimento e Política em O Dia, Jornal do Brasil e O Globo – de onde saiu em novembro de 1999 para se associar a Approach.

 

Mostra exibe filmes premiados internacionalmente

O longa-metragem Anjos do Sol, de Rudi Lagemann, que terá avant-première especial no primeiro dia de debates, já tem uma trajetória de sucesso. Seu projeto foi premiado pelo Laboratório de Roteiros do Instituto Sundance e pelo Ministério da Cultura. E o filme também acabou de receber em março de 2006, durante sua estréia mundial, o prêmio de Melhor Filme do Júri Popular no Festival Internacional de Cinema de Miami. Outro premiado é o curta-metragem Uma história Severina, de Debora Diniz e Eliane Brum. Lançado em 2005, ele conquistou o Prêmio da Crítica – Melhor Filme no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro – Curta Cinema 2005 e o Terceiro Lugar – Melhor Filme no Fort Lauderdale International Short Film Festival.

 

Intelectuais participam de livro e exposição

Personalidades do cenário intelectual brasileiro participam do livro De mãos dadas – 8 experiências de sucesso, que reúne oito casos de experiência comunitárias que beneficiam mulheres em todos os cantos do país. São eles: Drauzio Varela, médico cancerologista e escritor; Rui Portanova, desembargador e professor de Direito da UFRGS; Ricardo Rezende Figueira, padre e professor do Serviço Social da PUC/RJ; Gilberto Dimenstein, jornalista e integrante do conselho editorial da Folha de S.Paulo; Alcione Araújo – roteirista e autor e diretor teatral; André Urani, economista e diretor-executivo do IETS; Agop Kayayan, agrônomo e diretor-executivo do Indica; Ricardo Paes de Barros, economista e pesquisador do IPEA. Eles assinam os textos de apresentação de cada um dos casos apresentados na publicação. Além disso, contribuem com depoimentos que integram a exposição Mulheres brasileiras rumo às metas do milênio.