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Dia 15 de maio
ANDRÉ PARENTE
“A imagem é um novo instrumento a serviço do pensamento”
André Parente discute o papel das novas tecnologias na dinâmica contemporânea
De Platão à Internet. Da Alegoria da Caverna à realidade virtual. Assim o filósofo, autor e artista multimídia André Parente abriu o módulo Logos de Paidéia - Fórum de Idéias com a aclamada palestra Diálogos e proximidades no mundo virtual. O ciberespaço e a realidade virtual estão alterando nossa visão do mundo ou nosso modo de vida?, analisando o papel das novas tecnologias na mudança de olhar do homem contemporâneo. O ciclo de palestras, que acontecerá durante quatro meses durante todas as terças-feiras, contou com auditório lotado na Caixa Cultural Rio de Janeiro (RJ) já na estréia.
André Parente parte do princípio de Platão, de que devemos olhar o mundo não com os olhos do corpo (sensível), mas com os olhos do espírito (inteligível), para nos libertar da cegueira que nos aprisiona. A partir daí, ele faz uma analogia com as atuais tecnologias que produzem novas formas de conhecimento e subjetividade, imprimindo um estilo de vida sem parâmetros na história. Segundo Parente, hoje ninguém está incólume à enxurrada de imagens e informações. E, ao mesmo tempo em que ampliamos nosso conhecimento e singularizamos nossa existência, também nos empobrecemos através da massificação. O grande desafio contemporâneo seria não darmos importância maior à realidade virtual em detrimento da realidade de fato. Seria preciso encontrar espaço para a subjetividade. E retomar o conceito de libertação proposto por Platão, enfim. “A imagem é um novo instrumento a serviço do pensamento. Ela exerce hoje, para a ciência, o papel desempenhado outrora pelas narrativas e pelas lógicas”, conclui. |
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Dia 22 de maio
RENATO JANINE RIBEIRO
“Ética não é igual a honestidade”
Renato Janine Ribeiro investiga a verdadeira motivação do clamor por ética na política
Quem nunca conheceu uma pessoa de conduta ilibada que, em algum momento da vida, tenha tido seus valores em xeque diante de uma conflito? O conceito de ética não é passível de contestação, mas a escolha da ação ética pode ser relativa quando confrontada em situações de impasse. Foi este o ponto de partida da conferência Ética e política: Onde estamos e para onde vamos?, realizada no dia 22 de maio na Caixa Cultural Rio de Janeiro, no Centro do Rio. Nele, o autor e filósofo Renato Janine Ribeiro analisa a origem do clamor da nossa sociedade atual por ética, sobretudo na política.
Ao longo de duas horas de palestra e debate com o público, Renato Janine Ribeiro questionou se, ao reclamarmos sobre a falta de ética na nossa política, a população brasileira não estaria usando referenciais de lucro ou prejuízo no âmbito privado. “Estamos descontentes com a política porque ela não é ética ou porque ela não resolve os nossos problemas e grandes desafios sociais?”, indaga. Segundo ele, ao não agir errado, há uma compreensão social de que entramos no terreno da moralidade. No entanto, o filósofo enfatiza que é preciso dissecar a essência da ética. “Ética não é igual a honestidade, mas sim a capacidade de agir sobre os erros, a vontade e os princípios que movem a opinião pública”, observa. |
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Dia 29 de maio
ANDRÉ URANI
“Temos que ser capazes de nos reinventar”
André Urani desmistifica o tabu das reformas políticas e exorta audácia social
Somos um país de classe média alta no contexto mundial. Mais de ¾ da humanidade vivem em países que não têm a capacidade de gerar recursos como o Brasil. Porém, não é o que vemos ou sentimos nas ruas. Isso porque ainda temos muita desigualdade social. Mais que gerar mais crescimento, o nosso grande desafio atual seria produzir menos diferenças. Este foi o mote da instigante palestra “Pobreza e desigualdade: A razão social do Brasil”, que o economista André Urani ministrou em 29 de maio. Seguida de uma hora de debate com o público, ela encerrou o módulo Logos do ciclo Paidéia - Fórum de Idéias, que acontece todas as terças-feiras na Caixa Cultural Rio de Janeiro (RJ).
Segundo André Urani, o paradoxo de não sermos um país pobre – mas termos um número ainda expressivo de pobres – exige que sejamos capazes de nos integrar cada vez mais a economia mundial. “Temos que ser capazes de integrar mais pessoas à sociedade de consumo e ao processo decisório da nossa sociedade. As questões que enfrentamos hoje são muito mais complexas que as de 50 anos atrás. Temos que ser capazes de nos reinventar”, aponta. Como uma das saídas, Urani propõe a desmistificação da agenda de reformas – que são rejeitadas pela população e tem sido esquecidas pelos políticos já que agregam impopularidade. O economista lembrou ainda a questão das metrópoles como raiz do impasse contemporâneo. Para ele, capitais como Rio e São Paulo não podem abrir mão do papel de vanguarda em termos de desenvolvimento, qualidade de vida e inovação. |
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SUCESSO DE PÚBLICO
Paideia lota auditório e atrai fila de espera
Inscrições dos dois primeiros módulos esgotaram ainda na primeira semana de evento
Estudantes, professores e profissionais liberais das mais diversas áreas e faixas etárias. Este é o público que tem lotado todas as terças-feiras às 19h o auditório da Caixa Cultural Rio de Janeiro, no Centro do Rio. A enorme procura para participar das palestras e debates do ciclo Paideia superou as expectativas e excedeu lotação do espaço, de 86 lugares, ainda na primeira semana. As inscrições até o final de junho já estão esgotadas e há uma fila de espera de 200 pessoas que disputam as poucas vagas para os dois últimos módulos, que serão realizados em julho e agosto no auditório do Arte SESC.
Com patrocínio da Caixa Econômica Federal e parceria do SESC Rio, realizado pela [X]BRASIL e IETS, o evento foi organizado a partir das quatro dimensões do conhecimento humano propostas por Platão: Logos (racionalidade, em maio), Pathus (sentimento, junho), Eros (desejo, julho) e Mythus (o bem e o mal, agosto). Será um total de 15 debates com personalidades da filosofia, ética, artes, política, religião e outras áreas do conhecimento importantes para a compreensão da realidade atual. Para o economista André Urani, que encerrou o módulo Logos, trata-se de iniciativa fundamental para a sociedade. “Vivemos numa sociedade com muita ‘falância’. Treinar os ouvidos é sempre bom e há uma predisposição do público para isso. Por isso atividades como o Paideia são ótimas, servem para agitar e juntar olhares e perspectivas diferentes”, opina. |
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