Dia 03 de julho
Maria Rita Kehl



“O erotismo não é necessariamente estético”
Maria Rita Kehl denuncia paradoxos da sociedade consumista

No dia 3 de julho, o Ciclo Paideia inaugurou o seu terceiro módulo, Eros, com a palestra Cultura do espetáculo: Consumismo e imediatismo nas novas identidades sociais da psicanalista Maria Rita Kehl. O evento marcou a estréia das conferências semanais do Fórum de Idéias no auditório do Arte SESC, no Flamengo (zona sul do Rio), onde acontecerão até o final de agosto. “Parte do erotismo é aliciado para o consumismo. E o espetáculo é uma das formas que alia a subjetividade ao poder. Pela primeira vez na história da humanidade o espetáculo é produzido industrialmente”, aponta.

Durante a conferência, Maria Rita defende que vivemos numa sociedade que tem uma grande crença no valor dos objetos e de suas marcas, além do valor que eles seriam capazes de nos conferir. Trata-se de uma sociedade não só consumista como também espetacularizada e narcísica. “Criamos uma espécie de paradoxo: uma sociedade muito erotizada, com muito investimento sobre os corpos e sobre a sedução, mas onde as pessoas não estão olhando umas para as outras. Elas estão olhando para si mesmas, muito mais se exibindo que interessadas em ver o outro. Ora, o exibicionismo deve ter em contrapartida o voyerismo. Se todos estão se exibindo, quem é que vai olhar? Há um empobrecimento da arte erótica, que passa por modos de trazer prazer ao corpo do outro que não são estéticos. O erotismo não é necessariamente estético, é uma outra linguagem”, encerra.

 

Dia 17 de julho
Heloísa Buarque de Hollanda



“A arte feminina hoje é muito mais violenta e política”
Heloísa Buarque de Hollanda fala sobre a expressão das mulheres nas artes

Após uma semana de intervalo, o módulo Eros do Paideia voltou à ativa no dia 17 com a professora de Teoria Crítica da Cultura da UFRJ, pesquisadora e autora Heloísa Buarque de Hollanda, cujo tema de discussão foi Políticas Estéticas. A palestra, que aconteceu no Arte SESC, apresentou trabalhos de destaque no cenário da literatura e artes plásticas das décadas de 1990 e 2000. E dissecou, através de slides de textos e fotos, como as artistas brasileiras contemporâneas expressam seu novo olhar e suas novas demandas feministas. Apesar de muitas delas não se consideraram feministas.

“Políticas estéticas são uma forma de política interessante. Não estou falando que a arte é uma política, não estou falando de arte política. É o contrário, uma estética onde você faz diferença e se comporta, toma atitude e negocia poderes através disso. Quando falo em políticas estéticas, falo em estratégias que unem linguagens – que podem ser corporais, visuais, literárias ou comportamentais. As artistas hoje arrebentam, são extremamente agressivas e acham que não têm nada a ver com o feminismo. O feminismo deu um salto muito maior que qualquer uma poderia imaginar porque na minha geração as mulheres não eram violentas assim. E a arte feminina hoje, dos anos 1990 para cá, é muito mais violenta, afirmativa e política”, esclarece.

 

DIA 24 DE JULHO
Marcia Tiburi


“As massas não são burras”
Marcia Tiburi defende qualidade na mídia e desconstrução do desejo

No dia 24, foi a vez da filósofa e autora Marcia Tiburi para a palestra Retóricas sedutoras: o desejo do saber a partir do encantamento da mídia, em que apontou a administração lucrativa do desejo como um dos grandes males da sociedade contemporânea. Segundo ela, as nossas emoções estão colonizadas. E, caso não façamos uma desconstrução para olhar o avesso, o bonito pode se tornar perverso. “Perversão nada mais é que olhar pelo verso. A perversão é a produção de um lado sendo verdadeiro e um outro sendo falso. Sendo que o lado dado como verdadeiro acoberta o lado dado como falso. Para combatermos a perversão, temos sempre que mostrar os dois lados”, observa.

“Porque existe a Indústria Cultural? As pessoas foram reduzidas à nada e se contentam com qualquer coisa. Aquela qualquer coisa que passa pelos meus ouvidos, aquela ‘qualquer música’. Se tapou o meu ‘buraco’, estou feliz, tive o meu ‘lucro’. O lucro envolve uma emoção voltada para ter posse sobre o próprio corpo, o próprio sexo, a própria roupa. Ficamos doentes. E para combater essa lógica, só dando. Dê sem esperar nada em troca”, propõe. “A TV é um desfavor. Descolonizar um olhar colonizado pela imagem só com muita educação, política, arte, ruptura e vírus. ‘Ahh mas aí não vai vender’. Não. Claro que tem demanda para a qualidade. As massas não são burras. O que as massas não sabem é que têm muito poder”, conclui.

 

DIA 31 DE JULHO
Mirian Goldenberg



“O corpo no Brasil é um verdadeiro capital”
Mirian Goldenberg identifica o corpo como instrumento de ascensão social

O módulo Eros do Paideia não poderia encerrar de modo mais instigante. No dia 31 julho, a aplaudidíssima palestra da antropóloga e autora Mirian Goldenberg sobre Culto ao corpo, mídia e novas formas de erotismo apontou as origens da valorização das formas físicas no Brasil e traçou um panorama sobre como a pressão pelo corpo perfeito tem influenciado as nossas relações sociais. Foram mais de duas horas de análises teóricas de Gilberto Freyre, Marcel Mauss e Pierre Bourdieu até exemplificações dos atuais ícones da cultura brasileira no mundo, Ronaldinho Gaúcho e Gisele Bündchen.

“O corpo no Brasil é um verdadeiro capital, uma verdadeira riqueza. Talvez a mais desejada tanto pelos indivíduos das camadas médias e até das camadas mais pobres. Porque percebem este corpo como veículo de ascensão social e também um importante capital no mercado de trabalho, no mercado de casamento e, principalmente no mercado sexual brasileiro. Quando você vê essas mulheres que passam o dia cuidando do corpo e fala ‘nossa, elas são tão superficiais’, você não pode dizer isso. Porque, no Brasil, o corpo talvez seja o mais importante capital. E, talvez, um dos mais importantes instrumentos de ascensão social”, provoca.



 

Alteração na Programação Mythus



Regina Migliori e Rosa Alegria trocam o dia dos debates

Atenção para a mudança de datas de dois debates em agosto no módulo Mythus – o último do Paideia. Por questões de agendas profissionais, Regina Migliori e Rosa Alegria trocaram entre si o dia de suas conferências. Em 14/08 será realizada a palestra de Regina Migliori, Espiritualidade, competência e conhecimento. Já em 21/08 é a vez de Rosa Alegria, com o seu tema Realidade e consciência: o futuro mais perto de você. Local e horário permanecem os mesmos: Arte SESC (Rua Marquês de Abrantes, 99 – Flamengo), sempre às 19h. A programação completa, já alterada, está disponível no nosso site (www.xbrasil.net/paideia). Confira e compareça!


 

esclarecimento Paideia



Palestra extra ao final do evento

Em função do caos aéreo e o conseqüente fechamento do Aeroporto de Congonhas no último dia 24, Marcia Tiburi ficou impossibilitada de embarcar de São Paulo para o Rio no horário previsto há dois meses pela equipe organizadora do Paideia. Seu debate começou com mais de uma hora de atraso, algo incompatível com o padrão de qualidade do evento. E, em atenção aos patrocinadores e ao público que desde maio comparece e prestigia semanalmente as palestras do Paideia, estaremos promovendo uma conferência adicional ao final do ciclo – com tema e conferencista ainda a serem definidos. Em breve faremos esta divulgação através do nosso site (www.xbrasil.net/paideia). Lá você pode acompanhar regularmente notícias afins aos temas debatidos e novidades sobre a nossa programação, além de entrevistas e matérias com os nossos convidados.